lundi 1 novembre 2010

Em aberto

a verdade é que eu nunca quis ser pra você essa mulher bem resolvida e equilibrada que todas as mulheres do mundo querem ser. talvez eu nunca consiga mesma separar as coisas. porque todo esse sentimento que transborda todas as vezes que a gente se vê por aí tem me feito perder noites de sono. tem me feito morrer de saudades. uma saudades falha, assim como nós. uma saudade quase vazia, que nunca corresponderá a tudo que eu espero. esse tudo que eu espero aqui, sentada, de bom grado. um tudo que venho tecendo ao longo desses três enfadonhos meses. meses esses que me roubaram de qualquer outra ocupação que não tenha sido você. que me roubaram de qualquer outra dor que não tenha sido você.

dimanche 24 octobre 2010

sete

(eu chamo isso tudo de amor)

mercredi 20 octobre 2010

partie

ele parece alto num primeiro momento, mas se você olhar direito, tem o charme cafajeste de quem vê o mundo mais de baixo. não tem jeito aquela boca cortada, seus olhos são de uma profundidade quase cansada. vai saber o que ele tem, nem ele sabe. mas tem. nem posso dizer que tentei evitar, pois já descobri que se você evitar a vida, ela acontece do mesmo jeito e aí quando a gente interrompe tudo de maneira brusca, o tempero desanda.

mercredi 13 octobre 2010

Pedaço

(mas não quero sujar nosso amor com a minha mania de amar desesperançada, despedaçada e esfarelada, quero ficar toda inteira pra quando você me quiser. inteira.)

vendredi 8 octobre 2010

De acordo

[porque quando você vem assim, falando violentamente em voz baixa, minha voz se cala e os meus braços se abrem]

mardi 28 septembre 2010

Ok

(você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido novo, tirou as pedras da minha mão. eu te quero como meu ponto final.)

samedi 25 septembre 2010

Próximo

queria te dizer que agora estou aqui, finalmente segura e puramente deitada na minha cama. depois de acordar deitada no escuro ao lado de um amante que não amo. e que eu desejava que você viesse assim com um amor enorme e bonito como uma flor, que pudesse me salvar. um amor que me salvasse do fundo do poço. não consigo nem olhar a roupa da festa de ontem, impregnada pela baixeza de uma noite decadente. pousei a mão nas costas nuas só pra sentir, ele é quente, quase feito você, mas sem amor, sem amor. o amante que eu nunca amei como outros tantos, como outras camas, como outros dias. violada pelo amor que eu não tive, meu bem. amor largo, bonito, colorido. amores pequenos, devios, sismas, necessidades. me lavei freneticamente na água fria, quis esfriar o corpo e o sentimento de não pertença que precisa passar logo. e esperar passar, pensar na roupa, no transito na Vargas, na minha mãe no telefone. ah, mãe, se você soubesse...

de tanto tive tanto, mas faltou isso: um amor bom. não queria que me visse assim, refém-avessa da minha passionalidade que desde muito judiou de mim. uma passionalidade que não me serve.

vendredi 24 septembre 2010

De

que me ame apesar do meu jeito errado de tomar chá
apesar das minhas olheiras cobertas de corretivo
apesar da minha preguiça involuntária

que me ame apesar da minha rua sem asfalto
que me ame apesar do meu tom, do meu gosto

que me ame apesar dessas meias espalhadas pela casa
que me ame apesar da minha falação

que me ame.
apesar de.

mercredi 22 septembre 2010

De vir

[venha queimar o dedo na panela e reclamar do meu tempero. venha. venha que depois eu te ajudo a lavar a louça.]

lundi 20 septembre 2010

Fato

talvez as coisas nunca darão certo mesmo.

dimanche 19 septembre 2010

Tinta

"Eu gosto de carinho violento. De falar. De estar certa. De quem entende o que eu digo. De quem escuta o que eu penso. Da minha prole. Dos meus discos. Dos meus livros. Dos meus cachorros. Dos Stones. Do Rock Natural. Da minha solidãozinha. Dos meus blues. Do meu sofá vermelho. Da minha casa. Do meu umbigo. De unhas cor de carmim. De homem que sabe ser homem. De noites em claro e dias em branco. De chuva e de sol. Eu guardo as minhas rejeições em vidrinhos rotulados com o nome deles. Eu sou mole demais por dentro pra deixar todo mundo ver. Eu deixo pra quem eu acho que pode comigo. Ninguém sabe. Mas eu tenho coração de moça."

(Fernanda Young)



juro.

vendredi 17 septembre 2010

Que sim

Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz e você ainda me queira. Tomara.

jeudi 16 septembre 2010

e eu nunca vou entender essa vontade idiota que me bate todas as vezes em que volto pra casa.
uma vontade quase inocente de ser de você.

Tese

e por mais que me decepcione (todos os dias)
me salva desse abismo no qual eu tenho me jogado (todos os dias)

mardi 14 septembre 2010

Vão

Não. A gente ainda não viveu tudo. A gente não ouviu nossa música juntos, não cozinhamos e jogamos fora a comida porque nenhum dos dois sabe cozinhar. Não pedimos pizza. Você ainda não me viu acordar. Não viu meus olhos borrados da maquiagem barata de ontem a noite. Do pijama ao contrário. Não nos beijamos na biblioteca, nem transamos na escada. A gente não chorou junto. Não brigamos na rua. Você não leu aquele recado escondido em que deixei no seu livro. Você não me disse que tudo ia passar. Não me disse que era para ficar calma. Não me disse que não podia ter pensamentos ruins. Eu não te contei do sonho que tive essa noite. E eu não quero saber do sonho seu, dessa noite. Não trocamos juras banais no escuro. Muito menos saímos por aí sem hora pra voltar. Não, nada disso existiu. A gente sabe. Eu e você.

lundi 13 septembre 2010

Culpado

Eu sei, eu sei que você não gosta de Chico Buarque. É que não consigo entender como pode alguém não gostar de Chico Buarque. Não faz sentido todas as lojas de discos fecharem. E a culpa é de gente como você.
Essa gente que não sai de casa e não gosta de vinis do Chico.
Pessoas que não conseguem sentir a melancolia disfarçada de samba que está ali, impregnada, naquelas letras marotas.
Letras essa que me invadem o peito, me acalentam a alma e me beijam a boca.
Palavra a palavra, nota a nota. Mas você não gosta de nada disso.
E isso sou eu. Sou todos os vinis arranhados de Chico.
Sou toda o coração machucado, toda a cadência do cavaquinho. Você não gosta de mim.

dimanche 12 septembre 2010

Débito

Porque, sabe, a rinite não tá me deixando dormir. E nem você. É, você. Porque eu tenho dessas coisas de pensar, pensar e não conseguir dormir. Dessas coisas bobas que me fazem perder o sono. Sabe, é que eu fico repassando, como num filme, tudo que você disse. E tudo que você, por alguma razão obscura, quis realmente dizer. É que tudo que você diz fica tão na minha cabeça que eu já não consigo ir comprar jornal na esquina sem que você me acompanhe.

samedi 11 septembre 2010

Rascunho

O problema é que o que eu quero é dessas paixões que já não existem mais. Dessas paixões que doem de chorar, e que fazem chorar de doer.




me dê pra cá o cavaquinho, amor.

vendredi 10 septembre 2010

Tópicos

é que dessa vez, só dessa, eu quero fazer tudo direito. tudo o que as minhas amigas fazem. tudo nos conformes. dessa vez, só dessa, eu espero seguir todo o script. toda aquela cartilha da mulher bem resolvida que não implora por urgência, não implora por amor, não implora por perdão. porque esse seu jeito cínico e maldoso tem acabado comigo todas as noites e você não faz ideia a barra que tem sido fingir não te esperar. porque moças bem resolvidas não esperam nunca. não esperam nada, nem ninguém. então decidi que dessa vez vai ser assim. chega.





e se você não se apaixonar por mim mesmo com todo esse teatro de moça banal que eu estou fazendo, vai ser a prova de que eu precisava pra saber que você realmente vale a pena.

lundi 9 août 2010

Vamos

Vamos guardar o choro, o cavaquinho e a canção. Vamos guardar a mágoa, a tristeza, a comoção. Vamos guardar nós mesmos na esperança de um dia sermos muito mais que isso. Muito mais que samba. Muito mais que saudade.

lundi 2 août 2010

Fin.

'Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.
Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.
...Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu....

....Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza....


....sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, em não dar conta, em não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.' (TB)

vendredi 9 juillet 2010

Rabisco

Uma nojenta, impura, compulsiva, desesperada saudade. Uma saudade latente que não me deixa entrar em casa, vestir roupas, usar perfumes sem que me lembre de você. Uma saudade bandida que me rouba o pensamento, a concentração e a racionalidade. Que me rouba, por vezes, a dor. Me dá um sorriso imbecil por sonhar com você. Por ter sonhos confusos. Por me trazer pensamentos sujos e memórias banais. Que me levam ao choro desesperado para estar na sua cama. Que me traz um vazio desesperador. E que me levam ao pensamento de que nunca mais serei de ninguém. Nem de corpo e nem de alma. Nem de você.

lundi 28 juin 2010

Ode

dizem que a melhor vingança é ser feliz.
e eu espero ansiosamente o dia em que me vingarei de você.

dimanche 27 juin 2010

Noite

e hoje, hoje eu acordei sem nada.
sem nada no estômago, nada no coração.




ah, só uma coisa. uma dor imensa.

vendredi 25 juin 2010

Des-

'Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso.' (t.b.)


só que não.

jeudi 24 juin 2010

Fatos

'meu brilho é choro, meus dias são pontes para os dias de verdade que virão quando essa dor acabar, meus segundos são sentidos em milésimos de segundos, o tempo simplesmente não passa.

HOJE MENOS QUE ONTEM, AMANHÃ MENOS QUE HOJE, e por aí vai.

eu torço pra não fazer Sol, eu torço pra não chover, eu torço para acordar no meio do dia, eu torço para o dia acabar logo. eu torço para ter alguma coisa que me faça torcer, que me diga que eu ainda sei torcer por algo mesmo sem torcer pela gente.' (T.B.)

mercredi 23 juin 2010

Fin

'Na sua varanda sem céu, certa vez, você se sentou naquela cadeira sem fundo. Me colocou no seu colo e me deu o abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que eu tinha subido todos os seus andares. Eu entendi que você era o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que tinha algum tipo de chave que se autodestruiria em poucos segundos. Você era bom nisso. Bom em tudo, eu diria. Bom em me falar safadezas na cama. Era bom quando transávamos sem compromisso. O Sexo, o orgasmo, a língua, o cheiro, o beijo. Tudo era bom. E mesmo parecendo nojento, eu vejo como amor. Toma esse texto. O único lugar seguro e eterno pra gente. Tô esperando o dia que isso vai passar. Isso aqui, que falo descarada e cifradamente, mas sempre. Isso que espalho em cada linha, o tempo todo, o muito peneirado ao longo desses dias todos, soando pouco mas sem parar, nos intervalos dos reais intervalos. Tô esperando acabar, passar, morrer, sangrar até o fim. Esperando o tempo que acalma chamas com seus ventos de mil pés distantes. Esperando alguém que ocupe, distraia, desacorrente, solte, substitua, torne nada demais. Esperando não sentir mais ódio e nem tesão e nem ciúme e nem saudade. Esperando que eu não lembre mais como a gente combinava, sorríamos juntos. Como você fazia amor comigo (não sexo, mas, amor mesmo). Tá, analista dos infernos, eu entendi. O amor é que, se tivermos coragem pra deixar, resolve aos poucos a gente.' (T. B.)

Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, foram feitas pra um dia dar errado.

mardi 22 juin 2010

Faca

me sinto suja. tenho nojo de mim. nojo da minha ingenuidade, nojo da minha dedicação. nojo de ter acreditado, de ter te dado as mãos. nojo de ter deitado na sua cama. nojo de ter ido, de ter chorado. nojo de não ter desconfiado. de ter achado que comigo seria diferente. mas esse é você, sujo. e eu só soube agora.

alcance

curioso é o poder da decepção.
os heróis perdem sua capa, os reis suas coroas, os mestres sua devoção, os crentes sua fé e os amantes, ah, os amantes. esses, perdem sua admiração.

lundi 21 juin 2010

Ofício

Penso como me deixei ficar tão ausente de mim mesma. E eu tentei me resgatar, entende? Eu tentei fazer de todas as formas você entender que eu tinha uma vida só minha e que eu precisava vivê-la sozinha, não que você não fizesse parte dela, aliás, era exatamente isso, você era parte dela e não ela inteira. Mas a cada dia que eu me sentia mais dono de mim, percebia que perdia um pedaço de você. Será que não havia um modo de sermos de novo metades inteiras? Assim como o tempo foi passando, fui descobrindo o quanto estava ausente do mundo, o quanto era alienada de mim, mas não deixava de reparar em você. E você estava sofrendo com isso não é ? E quantas vezes eu precisei te dizer que eu não estava traindo você, que eu te amava e não havia razão para você pensar diferente? Quantas vezes eu tentei te explicar o que você nunca entendeu, o que você devia chamar de egoísmo. Você não conseguia viver sem alguém pra chamar de sua, pra ser o preenchimento daquele espaço vazio que guardamos lá dentro. Mas há diversas maneiras de se preencher esse espaço sabia ? E eu descobri que mesmo com você e nossa vida nada perfeita, esse espaço ainda continuava vazio, oco, pedindo mais. Ah não, por favor, não me venha com essa de loucura outra vez está bem? Sabe, eu tentei, eu juro que tentei e fiz o melhor que eu pude pra nos salvar, pra te mostrar o que eu tinha enxergado, que você continuava intacto e insistindo que tudo era uma fase e que íamos superar. Mas eu não consigo mais me esconder aqui dentro de novo, não posso mais renunciar à mim assim como também não queriia renunciar à você. Talvez você entenda um dia e venha me procurar. Talvez também se encontre em um desses passeios matinais espairecendo a cabeça. Talvez nunca compreenda o que venho passando esses anos e continue pensando que fui a culpada por você me abandonar. Talvez compreenda, mas nunca me perdoe. Do mesmo jeito que eu não me vejo perdoando seu desleixo e sua posse.

[...]










'Dei pra maldizer o nosso lar

Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua'

dimanche 20 juin 2010

deixe em paz meu coração

me tirou a vontade, me tirou a inspiração. sou só raiva e rancor. já não choro. também não como ou durmo. ou sequer consigo descansar. ontem, tentei sair, ver gente. mas você estava lá. estava em todos os cantos, em todas as músicas. não consigo fazer o caminho de casa sem me lembrar da noite fria em que fui te buscar, tão de bom grado. dói entrar aqui, dói pegar os ônibus ao anoitecer. dói pensar nos planos, e acabar guardando-os. e dor se transforma em rancor a partir do momento em que me pergunto: por que, Deus, por que me mostrei tanto ? por que estar na sua cama me fazia a mulher mais completa e segura do mundo ? por que acreditei ? afinal, por que pensei NÓS quando não fazia sentido ? quando não era eu que você queria do seu lado... amei sozinha, sonhei sozinha; talvez seja a pior sensação. não fui amada por completa, nem uma vez. mesmo tendo me doado, pelo avesso. tenho nojo de lembrar o quão passei por cima de tudo e todos para estar aí. nojo de ter feito história sozinha. nojo de mim por sentir saudades das suas mãos, do seu abraço e (até) do seu ciúme doentio.

[...]





'Pelos dias de cão, muito obrigado
Pela frase feita
Por esculhambar meu coração
Antiquado e careta'

samedi 19 juin 2010

Janela

ainda tá difícil. tem curso, tem prova, tem festa, tem o resto dos amigos. mas não tem você. tão estranho quando a dor começa a ficar latente, a gente começa a se acostumar com ela. a saudade começou a fazer tanta parte de mim que às vezes me sinto inteira falta. cheguei à conclusão de que posso perder de tudo nessa vida, mas não posso perder pessoas. em especial eu não podia perder você. hoje de manhã acordei vazia, fria. doeu. deu vontade de correr. aliás, ultimamente vivo com essa vontade louca de sair correndo pra bem longe. sair correndo até o fôlego acabar, as pernas bambearem, o lugar ficar desconhecido e não haver pessoas ao redor. outra coisa que percebi é que criei um mecanismo de defesa contra tudo isso. e a cada lugar que eu olho, a cada carro que eu vejo eu espero ardentemente que seja você vindo. a cada perfume que eu sinto, consigo reconhecer exatamente qual era o seu cheiro. ainda espero que alguém me acorde disso tudo.

vendredi 18 juin 2010

fin de la partie

pensei em milhões de coisas pra dizer. milhões de dias, de formas, de tonalidades pra dizer, e acabei sentindo tudo tão vago pra essa dor que já é só minha, e que dói tanto por ser só minha... mas vai ficar tudo bem. eu sei que vai. uma vez ouvi em um desses filmes que o amor acaba assim de repente, ao atravessar a rua, ao pousar a chícara. e eu confesso estar ansiosa pra esse momento chegar. seria romântico te apresentar um único movimento trágico, mas eu não quero mais romantismo nesses dias negros; te digo que algo insensato e doente foi se assentando no meu espírito assim sem aviso, se espreitando pelos cantos, contornando os tapetes, silencioso. li livros, risquei papéis, escrevi leve, escrevi sujo, escrevi feroz. até perceber que não sou mais tua. e meu coração ficou suspenso e inchado. desde então o veneno vai percorrendo o sangue, vai e volta, no passo da pulsação. e supliquei à minha alma que não guarde rancor. espero que o castanho adocicado dos seus olhos não se dilua. espero com um ciúme feroz que eu não sabia que tinha. eu sei, eu sei que você não é perfeito, não éramos tão perfeitos assim, mas eu era sua de todo o coração, inteira. vou sentir sua falta, ah, você não faz idéia. peço, por fim, que não conte pra eles as pequenas verdades dos nossos olhos, não reclame mais de mim, que me deixe morrer como lembrança boa, e, por favor, não apareça mais por essas bandas.

jeudi 17 juin 2010

Síntese

Rosa Morena

Não se esqueça de que a vida é penosa
E se o mesmo que te encanta
Te esquenta, mas espanta
Seja forte pelo fim, Rosa querida, Rosa formosa

E não se desespere, Morena
Pois, não há amargura que dure
Nem ferida que não se cure
Quando há outro amor que valha a pena

E que pela vida nebulosa
Aprenda a cuidar de si, planta
Jamais se julgue pequena
Se titubear, que o mundo te segure

Apenas deite-se, Rosa menina
Sonhe... E deleite-se.


Ana P.

Prólogo 2.0

260, trânsito da Vargas, barcas s.a., panito café, beijos, praça xv, sábado de manhã, pizza, risos, sendas, habbib's, coca-cola, luna, cama quentinha, chuveiro gelado, dor, forfun, escada caracol, PS2, poltrona fria, vasco, méier, 100, choro, dias da cruz, abraço, ddd 11, record, frio, magalhães couto, vergonha, sono, amor:







saudades.
imensas. maiores do que cabem aqui dentro.
e a noite tudo piora.

Prólogo 1.2

e talvez eu nunca tenha mesmo sentido uma dor assim. na alma.

game over

de todas as nossas brigas, de todos os meus poemas, de todas as tuas dúvidas, restou um quê de (fim).



ou nada.


Ah coração, teu engano foi esperar por um bem
De um coração leviano que nunca será de ninguém.

mercredi 9 juin 2010

Prólogo

e meu coração parado, batendo só dentro do seu.






deixe em paz meu coração

que ele é um pote até aqui de mágoa.

mardi 8 juin 2010

Peça [2.1]

e quando você vier, com aquele brilho nos olhos e com aquele sorriso largo, vai perceber que aqui nunca deixou e nem vai deixar de ser o seu lugar.


nunca.







volta, amor.

Peça [2]

não queria que me visse assim, refém de um mixto de tristeza e passionalidade que desde muito judiou de mim. fiquei opaca nesses dias solitários, nessas ruas sempre solitárias.

Peça

.













e o mundo parecia tão fácil e o amor tão óbvio comigo na sua sala fria, andando descalça e teimando em fazer barulho quando você me pedia silêncio.

lundi 7 juin 2010

Sopro

Peço pros românticos gritarem comigo, pra estamparem seus lindos casais na minha fuça com seu cheiro doce e suas florinhas, pra rasgarem meu peito, escrever a tinta até perfurar a carne e até a tinta se fundir no sangue, e as cartas de amor tem lá sua cor própria. Que me ensurdeçam com seu amor latente, brilhante, irrefutável. Porque no fim a gente tem sempre aquela esperança, pelo amordedeus, que o amor exista.

mardi 25 mai 2010

Pois é

você tem medo de me perder. e ninguém nunca teve medo de me perder..



é.

vendredi 21 mai 2010

Escuro

Juro que um dia vou sair desse quarto escuro. Vou parar de sufocar o coração em sacos fundos como buracos negros. Vou parar de me perder, prometo. De me violentar. Vou esquecer o caminho tortuoso que me trouxe aqui e essas coisas banais que moram lá fora e passaram a morar também aqui dentro. Um dia. Um dia vou atravessar a porta lúcida, completa, inteira. Mas hoje, hoje não.

dimanche 16 mai 2010

Baú

Não me disse nada, não procurou saber da minha vida, não quis saber de um cinema, não me chamou pra dar uma volta. Não me mandou mensagens, não me ligou, não teve ciúme de nenhum dos meus antigos casos, ignorou por completo a minha presença. Mas aí você chega sem perguntar e se apropria das minhas horas. Mas agora, agora tudo soa vazio.








[porque hoje eu sou todas as crises de racionalidade, toda a insegurança, todos os medos do mundo, todas as histórias frustradas.]

vendredi 14 mai 2010

De sorte

E, assim, mesmo que eu mude de opinião 120 vezes por dia, a vontade de chegar em casa e te encontrar vem sido uma idéia fixa. Mesmo que eu tenha te feito ficar puto, que tenha (por algum acaso) te feito sofrer por algumas horas e talvez tenha tentado boicotar o seu amor por mim, apesar de tudo isso, eu estive lá, eu estou aqui. E você tem as suas loucuras e também me deixou triste algumas vezes, mas que preferi calar, porque recordar me machuca. Eu me importo com você e qualquer coisa que me diga talvez tenha o poder de me impulsionar de uma maneira tão forte que sempre preciso que você diga algo. Você sabe que se alguma coisa acontecer (mesmo daqui 10 anos) e o plano de chegar em casa e te encontrar estiver tão, tão distante da nossa realidade, eu vou estar aqui. Mesmo que eu não faça mais parte da sua vida eu ainda vou estar. Porque eu entrei na sua casa e tomei posse da sua cama. E me misturei com as suas paredes de tal forma que ainda vou estar lá. Mesmo que você não me queira mais, porque toda a nossa vida já entrou dentro da sua vida e você vai sempre lembrar de mim. E mesmo que um dia a gente seja só memória, você vai ser a pessoa que mais me conheceu na vida. Eu posso realmente nunca deixar de ser nervosa, continuar apavorada e com medo de tudo e até, às vezes, ficar em outro planeta enquanto você diz uma coisa séria. Posso continuar tendo pressa e morrendo de ansiedade pra viver toda a minha vida aqui, agora, do jeito que eu quero. Mas eu quero você do meu lado. Em todas essas coisas. E também nas outras. Não como um sofá pra quando eu chegar em casa, mas dentro da minha história. Seja pra adotar um labrador até comprar um bendito remédio pra dor de cabeça. Seja escolhendo um apê daqui alguns anos, seja me ligando no Natal. Ok, vou parar de contar os planos. Mas, de qualquer forma, eu quer você, por perto, para todo do sempre que nosso amor durar. E que sejamos felizes agora. Que é bem melhor do que pra sempre.




eu vejo nossos filhos brincando com seus filhos, que já depois nos trariam bisnetos ♪

jeudi 13 mai 2010

súbito

.



então, meu amigo, depois de você nada mais parece fazer sentido.

mercredi 12 mai 2010

aujourd'hui

E, olha, eu estou com todos os medos, todas as angústias e preparada para todas as frustrações. Porque, hoje, eu particularmente sou avessa a sonhos e a tudo que o mundo possa me oferecer. Porque hoje eu só quero ficar aqui, quietinha, esperando a hora chegar. E até que ela chegue, eu vou morrer de medo. Vou chorar, tentar dormir, jogar paciência. Porque está parecendo uma eternidade. Mas vai chegar. Você.

lundi 10 mai 2010

Corda

e eu, eu só sei lavar o rosto quando eu choro. sabe, eu tô lavando agora, o rosto cheio de saudade e cheio de amor. e, admito, de ciúme também.




before you came my time was running low ♪

vendredi 7 mai 2010

Meu amor,

coisa mais bonita, você é mais bonita que a flor, mas sinto. nem Rosa, nem Idgie, nem Ruth, nem teus brilhos em mim podem voltar atrás. a vida já não é mais tão doce, a primavera chega em setembro e nem sei se ainda haverá Álvaro de Campos para tempos ridículos, velhas bossas para um tempo velho. e continuarei sendo librianíssima em tempos de sempre. às vezes, é melhor andar a pé e enxergar que opções são também, escolhas. tu fizeste a tua, pois bem: viver é melhor que sonhar, continua cantando Elis. e o amor, nem sempre, é uma coisa boa.

jeudi 6 mai 2010

Desfocado

Eu tinha escrito um monte de coisas pra você, mas eu queria te escrever bonito e às vezes não dá, sabe? É que hoje acordei sentida, cheia de mágoas e ontem foi tão igual, que sei lá, os dias sem você, são todos iguais e eu, ponto.Tá tudo confuso, tá tudo desconexo. E nada do que escrevo faz sentido. Tudo tão solto, tão subliminar. E foi aí que aprendi a t'escrever de olhos fechados. E só pra mim.


...e se existisse coesão aqui, a história não seria minha, francamente.

mercredi 5 mai 2010

demain matin

E quem diria, eu amava até o teu pouco caso no meio da rua, o nojo que tinha das mãos que eu sempre te estendi, sem sucesso. Dadas, nem as entregas que eu, em silêncio te pedia de olhos fechados. Essas coisas, essas e tantas coisas eu tinha pra te dizer.






A verdade e a versão

Eu vou guardar pra mim ♪

De perto.

A única diferença perceptível fica escancarada no rosto: todas as minhas ações de hoje tinham um pouco de você. Todas as pessoas, todos os cantos, todos os encantos. E no meio de brigas sem propósito algum, você se fez presente quando, por um segundo, fechei os olhos e lembrei do primeiro dia em que eu m'encantei por você. E por esse sorriso gigante, essa conversa boba, esse cabelo bonito, esse ciúme querido... toda essa lista sem fim de pequenas coisas tão somente suas, tão grandes para mim.

mardi 4 mai 2010

Ao meio

eu já te disse que esse acorde me mata todas as vezes ?
e ninguém jamais compartilha dessa eloquencia.




Milhares de coisas empilhadas, trabalhos pr'amanhã e não vou fazer nada.

lundi 3 mai 2010

Página

O passado nunca mente, meu caro. Não há como escapar. Deve-se tentar encará-lo de frente, ainda que se tente emendá-lo. Tentou? Não deu certo? A frente. Por mais que doa, por mais que se sinta incompreendido ou por mais que se reconheça um merda, siga em frente. Nada há de parar por você. O tempo, os sentimentos, não pararão. Sinto muito. Por mais que às vezes se pense que, na verdade, existem coisas mais relevantes que meros percalços, nunca se pode extrapolar sua própria interpretação do ocorrido aos demais. Nunca entenderão. Ainda que se cogite a idéia de que o havido foi mais importante do que qualquer outra coisa, ainda que o sentimento esteja lá, nada irá apagar os fatos.

Sinto muito.

dimanche 2 mai 2010

Estante

Imprecisão, atos falhos, ciúme, dor. Gasto palavras, observo, gesticulo. E aí vem você, abre os braços, me olha, me acolhe. E essa minha vida mansa, inundada pela rotina insossa dos dias, muda de cor e veste felicidade. E com você me vem todos os medos e as inseguranças. Me traz toda aquela vontade imensa de contradizer - mais uma vez - tudo o que os céticos de plantão me fizeram acreditar. E me faz rememorar tudo que um dia acreditei ser pra sempre. E juro que - só mais essa vez - eu acredito que será.

dimanche 25 avril 2010

Atalho

Porque eu só devo saber escrever sobre dor.







Por isso eu grito, visto vermelho, mudo de país, vendo os nossos sonhos e compro qualquer outro.
Perdi o rumo, amor.

samedi 17 avril 2010

Dreams

.











[e talvez eu morra de inveja de todas as passadas.

e de todas as futuras.]

lundi 12 avril 2010

Tato

então fica comigo e promete que vai me amar o resto da semana inteira.







promete ?

jeudi 8 avril 2010

Súplica

Então diz vai, que eu preciso ouvir. Supor é um campo muito vago pra mim, meu bem. Então diz, é tão simples, diz que sentiu falta, que sentiu falta das minhas unhas vermelhas cravadas nas suas costas, diz que sentiu falta dos suspiros, das minhas risadas ensandecidas no seu ouvido. Mas diz, diz porque eu preciso ouvir você dizer que sentiu falta das minhas gargalhadas cretinas nas horas mais impróprias. Deixo até dizer que sentiu saudade da sensação de caminhar de mãos dadas só pra reparar o olhar invejoso de quem observava você me segurando firme, como se eu pudesse escapar a qualquer momento (e eu podia). Diz, por favor que sentiu falta de alguém pra chamar de minha namorada, diz que sentiu saudade de me olhar de cima à baixo, de lado e do avesso, diz que sentiu saudade de ficar a sós comigo, naquela cama bagunçada, de adormecer nos meus braços enquanto eu te fazia carinho, diz. Diz que sentiu falta do meu cheiro e do meu cabelo, diz que eu já faço uma falta absurda na sua vida e que sem mim ela desanda. Então diz, por favor, diz.

mercredi 7 avril 2010

Sumário

escreve no meu ombro, vem, faz das tuas lágrimas ninguém
conta pra elas que não podem contigo, esconde o teu rosto comigo
que vou acomodar minha conversa doente no teu jeito crente de que ‘inda, de repente.



permaneço desse jeito tão bonito, pelos menos pros teus olhos - admito - já que não juro por ninguém, nem mesmo eu, que sou de alguém como sou teu.





[diz das suas estrelas, das suas histórias e fica, meu bem.]

lundi 5 avril 2010

Prometo

Mais uma coisa que preciso te fazer ciente: há inúmeras razões para você se ater a mim como há razões para eu me ater a você. Então nunca considere fazer o oposto. Quero sempre te ver pensando nos motivos pra ter e ter e ter um pouco mais. Porque você pode ter o quanto quiser: querendo ou não. Até eu já deixei de querer. Afinal, que opinião tenho eu se é você quem me quer tanto assim? Se você já me quer e a isso não se remedia: deixa assim que o tempo não pára. Perceba que não é algo que se cura. Ah, se você ousar curar dou-te uns tapas.







olha, você tem todas coisas que um dia eu sonhei pra mim
a cabeça cheia de problemas
não me importo, eu gosto mesmo assim. ♪

dimanche 4 avril 2010

Permuta

Quero lhe dar um aviso. É um aviso pra você não parar. Pra continuar e ter mais e mais disso que já é seu. Pra você persistir não só nos erros mas nos tantos acertos que você faz. Pra você se convencer, por favor, de que é tudo que é capaz. É um convite pra você vir. Pra você chegar e fazer o que você quiser. Pra você dar o tom e a intensidade que pretender. Pra você guiar e mestrar como só você. É um pedido. Pra você não abandonar a orquestra no ponto mais alto e tenso da melodia. Pra você ver que estou de peça rara e entregue pros teus braços. Sou só peça. Sou só incompleto. É uma tentativa pra você enxergar. Só pra você ver o que já é teu não por sorte, por merecimento. Pra você querer mais. É constante, isso de tentar te fazer querer mais. É tudo seu. Pega. É uma verdade pra você tocar. Pra sentir. Pra fundir com teu peito e pra nunca mentir. Pra vingar de mim tudo aquilo que eu nunca senti. Você me faz sentir. É uma constatação pra você ver. Veja. Tudo isso que eu mais preciso. É um espelho pra você olhar.

vendredi 2 avril 2010

Partitura

Outra coisa que preciso te fazer ciente: nunca há sonetos o suficiente. Nem que você junte os d’O Poetinha, do português e até aquele lá que o Francisco fez. Nunca há sonetos o suficiente. Se isso aqui é sobre mim, se é sobre você ou se é sobre nós dois eu já não tenho certeza. E essa coisa de não se ter certeza é um clichê tão freqüente (note o pleonasmo) que eu não vou me preocupar. Então olha: vou te escrever um outro em breve. Não vai ser o suficiente. Estou só avisando, anunciando. Vai ser sobre nossos desencontros. Ou talvez sobre suas mãos. As mãos são as mais bonitas partes do teu todo. Minto. São os olhos. Juntos, são a coisa mais bonita do teu todo. Ah, mas o teu todo é tão…






jeudi 1 avril 2010

Pretérito perfeito.

Eu fui gostar de você
Dei carinho, amor pra valer
Dei tanto amor
Mas você queria só prazer

Você zombou

E brincou com as coisas mais sérias que eu fiz
Quando eu tentei
Com você ser feliz

Era tão forte a ilusão
Que prendia o meu coração
Você matou a ilusão
Libertou meu coração ♪





porque o passado, vez ou outra, sempre acaba mandando lembranças numa madrugada chuvosa.

mercredi 31 mars 2010

Mea Culpa

Então não há nada que te encante. Que te faça pensar assim, o contrário que você pensa. Porque todo mundo tem essa, sei lá, essa fraqueza. Tem essas de pedir sem querer, sem pedir. Até porque todo mundo tá sempre pedindo algo. A vida é um formulário de requerimento. Diria mais, a vida é uma grande obra de um grande autor incompreendido. Mas eu gosto dela. O problema é que ela é uma merda. Uma coisa que preciso te fazer ciente: os versos dessa obra nunca fecham. Modernismo parece até desculpa, sabe? Porque essa licença poética de nada te dá licença. Tem sempre um retardado metido a precoce, um senhor que enfeita a prosa até ela virar um paralama de caminhão: incompreensível de complicado (vou parar com o metatexto (com o neologismo, não)). Música de elevador, amor de ascensorista, olhar de lambedor de selos. Você completou todas essas lacunas sociais que me faltavam (ou a minha obra). Eu estou voltando a falar sobre você porque a gente sempre faz isso quando temos que fazer algum desfecho. Eu que sempre tenho conflitos na minha obra, mas nunca alcanço o clímax. Portanto seria desnecessário preocupar-me em como vai ser o fim. Eu podia terminar, sei lá, de uma maneira repentina. Há essa também nos escritores de prever, preparar para fazer algo, ou tornar algo recorrente. Eu queria poder tomar controle deste roteiro sem nem precedente nem futuro como tomo controle das minhas letras. Você ia ser tão recorrente que não faz idéia. Acho que iam enjoar de você, mas eu, eu nunca vou fazer isso.

lundi 29 mars 2010

Só amanhã de manhã

Desculpa mas eu não sei lidar com isso. Já passei por essa situação, claro, mas faz alguns meses que mais parecem anos e a partir disso eu comecei a não querer me envolver muito com as pessoas e deixando com que elas gostassem mais de mim do que eu delas, eu acabava não gostando mais de mim, nem delas. Desculpa colocar uma blusa qualquer assim tão rápido, mas eu acho que meus defeitos se escondem atrás das minhas pintas, por todo o meu corpo e não quero que você fuce, olhe, repare nas imperfeições aqui de dentro e nem nas de fora, que para mim gritam. Desculpa esse mal jeito de telefone, essa coisa de falar, falar e não conseguir dizer apenas o necessário. Eu nunca fui de necessário, eu só funciono no excesso, no muito, no que transborda. E de repente me vejo completamente vulnerável aos seus momentos de silêncio, que me fazem pensar, e as vezes não é tão legal estar aqui dentro. Mas você provoca, provoca sensações tão obscuras que eu morro de medo. Eu estava acostumada com o conhecido, com um terreno que já era meu, com minha arrogância sentimental ridícula e assumida. E de repente você chega, domina os cômodos da casa, se transforma nos meus objetos, vira referência, vira saudade. E eu não sei lidar com isso. Eu realmente não sei lidar com isso. Eu bebo um gole a mais e tenho certeza absoluta que você pode ficar quieto pro resto dos dias que eu me viro, dou um jeito, engulo as palavras e converso com outros, porque é só me encaixar embaixo dos seus braços que eu suporto tudo, até essa insegurança já não tão nova que hoje divide a vida comigo.

Sinergia


Porque eu fico mendigando sempre um pouco mais de amor, porque o siso dói e o dia seguinte é cheio. Porque eu não tenho mais medo porque tudo é calmo, e porque eu joguei fora um texto que eu escrevi contando do sonho em que você me deixava porque não sabia lidar. Prefiro falar do meu mendigar carinho e do jeito gato de espreguiçar quando você mexe no meu cabelo. Tudo é melhor do que pensar que você ainda não comprou o pacote completo da minha megalomania pelo espaço na cama, por conhecer o meu bairro todo (e o seu também), por enlouquecer de vez em quando (pra dentro de mim e aos berros no seu ouvido). E deixando qualquer tristeza de lado, escrever um texto bonito sem cheiro de café, porque a vida dói mas é bonita. Porque tudo me dói mas é bonito, porque eu me dei por completo e no meio de todo o meu excesso e do amor que me sobra, falar da felicidade em seu estado mais bruto, físico, real e falar sobre os dois pés fincados na terra pela primeira vez na vida, onde colocar tudo em risco, acalma a alma e me coloca menininha escrevendo sobre coisas que não cabem dentro de mim pra ver se sobra espaço pra pensar em algo mais racional, ao invés de me guiar o dia todo com esse tudo que não é palpável.


Eu descobri que tudo é muito simples, e que pés na terra ou cabeça voando (em Copacabana ou do outro lado do mundo), eu estou sempre ao alcance das (suas) mãos.


[e eu prometo que não quero ser mais nada além de ser corpo estirado na sua cama. é simples assim.]

dimanche 28 mars 2010

avec vous

Você não merece. Não merece meu jeito, meu gosto, meu tato, meu amor, minha falação desesperada, meu espernear pela casa, meus bicos, minhas sobrancelhas franzidas por pouca coisa (por quase nada) e nem meus passos barulhentos pelo chão da sua casa. Não merece que eu atrapalhe seus vizinhos, sua vida, suas coisas e nem minha quietude voluntária, meu jeito próprio de respeitar seus barulhentos silêncios. Você não merece meus fins de semana, meus dias normais, minhas horas, meus minutos gastos, minha maquiagem barata que não esconde o quanto eu sorrio pra você (de olheira a olheira). Você não merece, mas eu morro de saudades todos as horas que estamos separados. Não merece o quanto me fez uma pessoa melhor, não merece as mudanças na minha vida, os livros tirados do chão na esperança de que de repente você chegue (quando sou sempre eu que vou) e esse meu ir sempre assim tão de bom grado, tão feliz, tão plena, tão completamente sua e não merece esse ter me tornado tão pouco do resto das coisas.

Mas aí você vira para o lado e reclama do mau tempo, do ar condicionado, do trânsito, do Rio, da vida e de mim. E depois abre seus braços em que cabem o mundo e eu fico tão pequena que você merece tudo. E passa a merecer o tanto que eu tinha guardado e que ninguém nunca via.

E eu então mereço seu sorriso, seus braços, seu jeito, seu silêncio, suas reclamações, (seu adorável) mau humor matinal e seu conceito de tempo, de vida, de amor, e por causa disso tudo, eu não quero mais amor nenhum. Não sei se posso chamar disso e mesmo que a gente, ou isso que eu sinto não tenha nome, eu prefiro. É tão novo, tão bom, tão seu.

De soprar






Dia sim dia não eu acordo e amaldiçôo a outra, e às vezes confesso que ouço no rádio aquela estação das simpatias, e faço alguma mandinga ou outra em troca de um pouco de amor.

mardi 9 mars 2010

(Des)Construção

Que maldita seja essa crise de identidade generalizada. Maldito seja todo esse sentimentalismo acidental. Toda essa inversão de papéis, discussão de papéis, guerras particulares travadas para reestabelecer as regras dos jogos íntimos. Mas a verdade é que nunca se está num lugar distante e medíocre o suficiente para vivermos nossas vidas medíocres sem julgamentos. Nossos e dos outros.




E, eu preciso admitir, eu não sei me comportar agora.

samedi 6 mars 2010

Me-lancolia.

e quando ela acordar, um mundo de coisas que ela pode, mas sempre menos do que deseja.
me perdoe pelos meus mil anos à frente dos nossos segundos e pela saudade melancólica.









toda essa vida errada que eu vivo até agora começou naquele dia quando você foi embora ♪




samedi 27 février 2010

Por mal



(Vemos o andar confiantes pela avenida superlotada, e nem sequer pensamos na tristeza à tentativa de entretenimento com novelas e suas cenas calorosas, sedutoramente baratas.)



não, não se engane, rapaz. mulheres não são todas iguais.

lundi 22 février 2010

A-tada







Depois de ter você,
pra quê querer saber que horas são?
Se é noite ou faz calor,
se estamos no verão,
se o sol virá ou não,
ou pra quê é que serve uma canção como essa?

jeudi 18 février 2010

A-lgema

'Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!'
(F. Pessoa)



pois não é ?

mardi 16 février 2010

A-diar

um tanto quanto cansada.
um tanto quanto não querendo esperar tanto pra começar tudo.
uma sensação de ganhar e não levar.

mas eu nunca achei (realmente) que as coisas seriam fáceis.

mardi 9 février 2010

Fail





obrigada pelas palavras sujas. obrigada pelas ironias babacas.




dimanche 24 janvier 2010

Farinha

Digamos que eu esteja engasgada. Engasgada de tanto ver você ir embora e ficar de mãos atadas. Engasgada de tantos sorrisos seus, de tanto charme inebriante jogado fora. De tanta espera pra (quase) nada. Digamos que você sempre se coloque tão acima do meu ponto mais alto. Estou tão engasgada de ver você tão livre, tão acima do chão. Tão acima de minha cabeça. Obrigada por me matar cada vez que põe-se em seu pedestal. Obrigada por me fazer engasgar com tanta culpa a cada vez que me lembro daquele dia. Talvez eu tenha voado demais, aproveitado de menos. Mas, entenda, é a melhor maneira que achei pra dizer 'fique comigo'. A necessidade de estar ligada a você foge à minha estratégia de conquista. E tudo que eu consigo fazer quando estou ao seu lado é rir. Obrigada também pelo sentimento 'sou retardada, oi' que você me traz. Palavras sempre me servirão de sonhos, acredite. Acredite que tudo que me disse até hoje tem uma importância exorbitante que eu não deveria dar. Mas a culpa é minha. Não aprendo. Afinal, o que quer de mim ? Não pretende perder a postura nunca ? Não pretende, nem um pouco, me dar a mão e jogar-se num infinito qualquer ? Qual é o seu problema ? Tudo bem, continue jogando. Que eu vou continuar (me) perdendo.

dimanche 10 janvier 2010

Travesseiro

Na verdade, eu sonhei. Sonhei muitas vezes.
Milhares delas.
com você;

jeudi 7 janvier 2010

Marca-passo




talvez todas as suas teses caiam por terra, mulher maravilha.

talvez essa dor enorme que mal cabe no peito seja sua pra sempre.


e lembre-se que Deus não escreve por linhas tortas.
tortos somos nós.


mardi 5 janvier 2010

Des-construa [castelos]

Eu percebi que minha ansiedade é a típica da garota boba que leu nove livros, sabe de sete músicas, viu quatro filmes, conhece dois lugares e acha que ainda ama um homem. Quem sabe mesmo, nem começa a dizer. É tanto que dá preguiça. Seria uma vida a dizer mas você já esqueceu ou dormiu no meio. Você precisa sim da sua biblioteca que dá cinco voltas no teto pra ser amado. Mas precisar disso te enche da vontade deliciosa de deixar o que a gente precisa pra lá. Você fez comigo o que faz com todos os livros. Para na metade. Assim sobra tempo de assassinar minha esperança e depois dormir enquanto eu conto os pedaços pela casa. Meus e das minhas histórias. Então eu gosto de você, de novo, porque não falamos nada, não chegamos a nda. Você porque dormiu de novo ou quer demais. Eu porque quero de novo ou dormi demais. Você porque sabe muito. Eu porque não sei porra nenhuma.




lundi 4 janvier 2010

Saiba

Sabe, talvez o que mais doa é saber que não tenho mais pra quem jogar charme e fazer piadas sarcásticas inúteis.











Sabe, dói.

dimanche 3 janvier 2010

Esquete


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(Álvaro de C.)











só dessa vez, goste menos. já está na hora. menos. por favor. já está na hora.

Mantra

Filosofia.
Genética.
Pontuações.
Frases afirmativas com interrogação no final, ‘só pra dar mais intensidade no sentido real’.

Pensamentos em demasia.
Detalhes do roda pé.
Depressões momentâneas.
Humor em grande freqüência. ‘risos’.
Histórias de amor não vividas.
Razões conhecidas.
Limitações discutidas.
Clichês.
Viagens.
Bobagens.
Demonstrações.
Pretensões.
Dependência a boas conversas.
Palavras de dicionário.
Notas musicais.
Noites escuras.
Boas e más vontades.
Aprendizagens teóricas.
Lágrimas.
Um pouquinho de graça, ‘em seu duplo sentido’.
Caras e bocas.
Erros e acertos.
Embriaguez de sensibilidade.

Não mudo de hábitos. Não corto assuntos. Tenho neuroses.
Sou sentimental. Ágil e impulsiva.

samedi 2 janvier 2010

De-menos

na história de um poeta

a menina acreditou
e dos olhos da menina

uma lágrima rolou

[...]





e dos olhos da menina
uma lágrima rolou ♪

vendredi 1 janvier 2010

De-mais

Dizem que quando somos jovens demais, tudo é intenso demais, forte demais. Dizem também que temos tempo demais, vida demais. Só esquecem de nos dizer é que é dificíl sair ileso, difícil demais.