mercredi 31 mars 2010

Mea Culpa

Então não há nada que te encante. Que te faça pensar assim, o contrário que você pensa. Porque todo mundo tem essa, sei lá, essa fraqueza. Tem essas de pedir sem querer, sem pedir. Até porque todo mundo tá sempre pedindo algo. A vida é um formulário de requerimento. Diria mais, a vida é uma grande obra de um grande autor incompreendido. Mas eu gosto dela. O problema é que ela é uma merda. Uma coisa que preciso te fazer ciente: os versos dessa obra nunca fecham. Modernismo parece até desculpa, sabe? Porque essa licença poética de nada te dá licença. Tem sempre um retardado metido a precoce, um senhor que enfeita a prosa até ela virar um paralama de caminhão: incompreensível de complicado (vou parar com o metatexto (com o neologismo, não)). Música de elevador, amor de ascensorista, olhar de lambedor de selos. Você completou todas essas lacunas sociais que me faltavam (ou a minha obra). Eu estou voltando a falar sobre você porque a gente sempre faz isso quando temos que fazer algum desfecho. Eu que sempre tenho conflitos na minha obra, mas nunca alcanço o clímax. Portanto seria desnecessário preocupar-me em como vai ser o fim. Eu podia terminar, sei lá, de uma maneira repentina. Há essa também nos escritores de prever, preparar para fazer algo, ou tornar algo recorrente. Eu queria poder tomar controle deste roteiro sem nem precedente nem futuro como tomo controle das minhas letras. Você ia ser tão recorrente que não faz idéia. Acho que iam enjoar de você, mas eu, eu nunca vou fazer isso.

lundi 29 mars 2010

Só amanhã de manhã

Desculpa mas eu não sei lidar com isso. Já passei por essa situação, claro, mas faz alguns meses que mais parecem anos e a partir disso eu comecei a não querer me envolver muito com as pessoas e deixando com que elas gostassem mais de mim do que eu delas, eu acabava não gostando mais de mim, nem delas. Desculpa colocar uma blusa qualquer assim tão rápido, mas eu acho que meus defeitos se escondem atrás das minhas pintas, por todo o meu corpo e não quero que você fuce, olhe, repare nas imperfeições aqui de dentro e nem nas de fora, que para mim gritam. Desculpa esse mal jeito de telefone, essa coisa de falar, falar e não conseguir dizer apenas o necessário. Eu nunca fui de necessário, eu só funciono no excesso, no muito, no que transborda. E de repente me vejo completamente vulnerável aos seus momentos de silêncio, que me fazem pensar, e as vezes não é tão legal estar aqui dentro. Mas você provoca, provoca sensações tão obscuras que eu morro de medo. Eu estava acostumada com o conhecido, com um terreno que já era meu, com minha arrogância sentimental ridícula e assumida. E de repente você chega, domina os cômodos da casa, se transforma nos meus objetos, vira referência, vira saudade. E eu não sei lidar com isso. Eu realmente não sei lidar com isso. Eu bebo um gole a mais e tenho certeza absoluta que você pode ficar quieto pro resto dos dias que eu me viro, dou um jeito, engulo as palavras e converso com outros, porque é só me encaixar embaixo dos seus braços que eu suporto tudo, até essa insegurança já não tão nova que hoje divide a vida comigo.

Sinergia


Porque eu fico mendigando sempre um pouco mais de amor, porque o siso dói e o dia seguinte é cheio. Porque eu não tenho mais medo porque tudo é calmo, e porque eu joguei fora um texto que eu escrevi contando do sonho em que você me deixava porque não sabia lidar. Prefiro falar do meu mendigar carinho e do jeito gato de espreguiçar quando você mexe no meu cabelo. Tudo é melhor do que pensar que você ainda não comprou o pacote completo da minha megalomania pelo espaço na cama, por conhecer o meu bairro todo (e o seu também), por enlouquecer de vez em quando (pra dentro de mim e aos berros no seu ouvido). E deixando qualquer tristeza de lado, escrever um texto bonito sem cheiro de café, porque a vida dói mas é bonita. Porque tudo me dói mas é bonito, porque eu me dei por completo e no meio de todo o meu excesso e do amor que me sobra, falar da felicidade em seu estado mais bruto, físico, real e falar sobre os dois pés fincados na terra pela primeira vez na vida, onde colocar tudo em risco, acalma a alma e me coloca menininha escrevendo sobre coisas que não cabem dentro de mim pra ver se sobra espaço pra pensar em algo mais racional, ao invés de me guiar o dia todo com esse tudo que não é palpável.


Eu descobri que tudo é muito simples, e que pés na terra ou cabeça voando (em Copacabana ou do outro lado do mundo), eu estou sempre ao alcance das (suas) mãos.


[e eu prometo que não quero ser mais nada além de ser corpo estirado na sua cama. é simples assim.]

dimanche 28 mars 2010

avec vous

Você não merece. Não merece meu jeito, meu gosto, meu tato, meu amor, minha falação desesperada, meu espernear pela casa, meus bicos, minhas sobrancelhas franzidas por pouca coisa (por quase nada) e nem meus passos barulhentos pelo chão da sua casa. Não merece que eu atrapalhe seus vizinhos, sua vida, suas coisas e nem minha quietude voluntária, meu jeito próprio de respeitar seus barulhentos silêncios. Você não merece meus fins de semana, meus dias normais, minhas horas, meus minutos gastos, minha maquiagem barata que não esconde o quanto eu sorrio pra você (de olheira a olheira). Você não merece, mas eu morro de saudades todos as horas que estamos separados. Não merece o quanto me fez uma pessoa melhor, não merece as mudanças na minha vida, os livros tirados do chão na esperança de que de repente você chegue (quando sou sempre eu que vou) e esse meu ir sempre assim tão de bom grado, tão feliz, tão plena, tão completamente sua e não merece esse ter me tornado tão pouco do resto das coisas.

Mas aí você vira para o lado e reclama do mau tempo, do ar condicionado, do trânsito, do Rio, da vida e de mim. E depois abre seus braços em que cabem o mundo e eu fico tão pequena que você merece tudo. E passa a merecer o tanto que eu tinha guardado e que ninguém nunca via.

E eu então mereço seu sorriso, seus braços, seu jeito, seu silêncio, suas reclamações, (seu adorável) mau humor matinal e seu conceito de tempo, de vida, de amor, e por causa disso tudo, eu não quero mais amor nenhum. Não sei se posso chamar disso e mesmo que a gente, ou isso que eu sinto não tenha nome, eu prefiro. É tão novo, tão bom, tão seu.

De soprar






Dia sim dia não eu acordo e amaldiçôo a outra, e às vezes confesso que ouço no rádio aquela estação das simpatias, e faço alguma mandinga ou outra em troca de um pouco de amor.

mardi 9 mars 2010

(Des)Construção

Que maldita seja essa crise de identidade generalizada. Maldito seja todo esse sentimentalismo acidental. Toda essa inversão de papéis, discussão de papéis, guerras particulares travadas para reestabelecer as regras dos jogos íntimos. Mas a verdade é que nunca se está num lugar distante e medíocre o suficiente para vivermos nossas vidas medíocres sem julgamentos. Nossos e dos outros.




E, eu preciso admitir, eu não sei me comportar agora.

samedi 6 mars 2010

Me-lancolia.

e quando ela acordar, um mundo de coisas que ela pode, mas sempre menos do que deseja.
me perdoe pelos meus mil anos à frente dos nossos segundos e pela saudade melancólica.









toda essa vida errada que eu vivo até agora começou naquele dia quando você foi embora ♪