lundi 30 novembre 2009
Cobra-coral, papagaio vintém
(o que será felicidade, afinal ? não sei não, mas eu acredito, Flamengo, que nós nascemos um para o outro.)
ninguém nunca vai entender esse amor que transborda aqui --> ♥
em rubro e negro.
samedi 28 novembre 2009
Saia
Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve.
(T.B.)
- e, no fundo, eu só queria que você pegasse na minha mão e me tirasse essa mágoa que não passa nunca. mas que quase passa todos dias. porque você tirou todas as pedras da minha mão, e só me acertou quando eu não tinha mais nada com o que me defender. e eu te odeio por isso.
(T.B.)
- e, no fundo, eu só queria que você pegasse na minha mão e me tirasse essa mágoa que não passa nunca. mas que quase passa todos dias. porque você tirou todas as pedras da minha mão, e só me acertou quando eu não tinha mais nada com o que me defender. e eu te odeio por isso.
jeudi 26 novembre 2009
2 + 2
Não é novidade alguma dizer que tenho noções muito própria de tempo e espaço. Essa compulsão de achar que tudo está a um ponto do fim, a um centésimo do êxtase, sempre me perseguiu. E por mais que essa sensação me sufoque todos os dias, demorar 10 dias pra fazer algo que todo mundo faz em 10 segundos ainda é comum. A sensação de tudo estar escorrendo por entre meus dedos não tem me deixado dormir. Tudo piorou na última semana. Culpo a aproximação do Natal, data que considero tão melancólica quanto ouvir Billie Holliday numa sexta a noite, em casa. Culpo a UFF e sua prova de domingo. Culpo o calor exacerbado que não me deixa dormir em paz. Me culpo. Todas as vezes. Eu sempre vou acabar me culpando, isso é um fato. Mas uma hora tudo fica pior, é o que ocorre. Mas o que me consola é que no fim, tudo dará certo. Essa certeza idiota é o que ainda me mantém de pé. Ninguém vai me tirar essa sensação de que tudo vai se acertar e tudo que tenho rascunhado até hoje vai, enfim, virar algo sólido.
Vai dar tudo certo.
Tem que dar.
Vai dar tudo certo.
Tem que dar.
até o dia em que eu mudar de opinião... ♪
mardi 24 novembre 2009
Substantivo próprio tem letra maiúscula
Confesso morrer de inveja de Lígia, de Carolina, de Lilly Braun, Iolanda, Luiza, Gabriela. Confesso ir dormir todos os dias pedindo por um poeta ensandecido de dor suplicando minha volta através de um poema melancólico. Confesso também que invejei mil vezes aqueles trechos de músicas dos quais a saudade soa como luto e a batida do violão envolve notas tristes e chorosas. Eu admiro, tenho inveja, eu sinto falta, me delicio, eu tenho carinho, eu me aconselho, eu me protejo, eu me projeto. Mas de tudo o que eu sinto, ciúmes é o que eu sinto mais. Eu morro é de ciúmes de todas elas. Todas essas mulheres cantadas, rimadas. Transformadas em partituras. Ninguém nunca viu em meus olhos as noites do Rio, ao luar. E nunca tive sequer uma homônima para me vangloriar e mentir que meu nome foi inspirado nela. Ou vice-versa. Logo eu, que nunca gostei de ser comum. Em meio a Anas de Armsterdã ou que fizeram de uma vida um erro depois de irem embora. Penny Lanes, Angélicas, Marias Ninguém, não há alguém que me cante, me passe para o papel. Leminski não me escreveu três versos de gelo. Não há alguém que chore, que durma tarde em meio a letras e prosas. Quando Roberto cantou que nem o mar e o infinito não eram maiores que o amor que residia nele e nem ao menos mais bonito, quando Chico afirmou que gostaria de ficar no corpo dela feito tatuagem, quando João afirmou que os desafinados também têm coração. Onde andava eu enquanto tudo isso acontecia ? Onde ? Por que não fui a coisa mais linda, mais cheia de graça a passar ? Por que não fui a quadrada, demente, que não entende nada e Caetano não quis me fazer entender ? Dias desses aí, acordei feliz com a possibilidade de terem escrito algo pra mim, aí pela vida. Quem sabe um poeta tímido, reprimido, coitado. Ficou tão sem graça que não quis citar meu nome, que preferiu fazer versos quase impessoais para que eu, do alto de toda minha inteligência e desenvoltura, não pudesse nem sequer desconfiar que definhava à minha pessoa. Talvez. Talvez ele tenha pensado em escrever mil vezes e desistiu diante de algo que eu tenha feito de errado. E resolveu escrever pra Teresa, pra Renata. Eu quis muitas vezes ser a Teresa, não essa Teresa. E sim a Teresa de Chico. Não só dele, mas de meus outros amantes escritores. Deixa-los escrever no meu corpo inteiro, lê-los através do espelho e depois apagar tudo, para que nunca cessasse seus escritos. Mesmo que esses amantes sejam todos errados, tortos, quase mortos. Seus amores serão bons, disse o admirador de Teresa certa vez. Em outra canção, não tão desnaturada, mas poderia ser minha, quem sabe. Certamente o poetinha não me imaginou com uma flor quando escreveu pra sua menina com andar de pajem medieval. Mal sabia ele que eu também, quando comecei a gostar dele, procurava saber por todos os modos com que camisa esporte ele ia sair para fazer mimetismo de amor, me vestindo parecido. Quis ser a Maga do mago que também atende por Cortázar. Mago este que me faz melancólica só por ler um verso seu, mesmo desprendido. Invejei os olhos de Capitu. Não os olhos em si, e sim a inspiração que deram a alguém para classifica-los como oblíquos e dissimulados. Rosas, Madalenas. Recentemente eu invejei Matilde, uma mulata que tem a cara da saudade. Até a Matilde deve ter a cara da minha saudade. Quem me aconselha, quem me manda andar, não iria à esquina se soubesse que eu nunca quis contos de fadas, mas sim uma frasezinha qualquer escrita num cantinho de página. Quem tem o dom da rima, da métrica, talvez ficasse sensibilizado com tamanha mágoa que tenho. E, de tanta pena que esse sujeito sentiria de mim, ia se pôr a escrever. Talvez Chico um dia se lembre da minha existência e, de tanta culpa, colocaria em frases essa minha vida breve até então, monótona. Mas o faria com a maestria necessária. Mas enquanto ele não faz nada, finjo desdém a todas as Bárbaras, Cecílias. E desdenho porque amo. Amo ser um pedaço de cada uma delas. E, é patológico e patético. Eu sei. Mas, ainda vou reclamar meus direitos a ele. Como quem reclama a paternidade de um filho. Vou bater bem na porta da casa dele e vou dizer: estou cansada dessa nossa relação unilateral.
lundi 23 novembre 2009
Des-cansa
eu já deveria ter acostumado com essa sinestesia que é a minha vida.
Podem me chamar
E me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar
Milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir
Melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me obrigar
Até sorrir, até chorar
e podem mesmo imaginar
O que melhor lhes parecer
Podem espalhar
Que eu estou cansado de viver
E que é uma pena
Para quem me conheceu
Eu sou mais você
E... eu .
(Vinícius de M.)
E me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar
Milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir
Melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me obrigar
Até sorrir, até chorar
e podem mesmo imaginar
O que melhor lhes parecer
Podem espalhar
Que eu estou cansado de viver
E que é uma pena
Para quem me conheceu
Eu sou mais você
E... eu .
(Vinícius de M.)
lundi 16 novembre 2009
Já dizia
'Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.'
(Vinícius de M.)
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.'
(Vinícius de M.)
dimanche 15 novembre 2009
Des-iluda
Mas faça o que você tem que fazer, menina. Ele é só um insolentezinho metido a intelectual que faz seu coração bater e quase parar de vez em quando. Só mais uma dose da melhor bebida que você começou a provar. Mamãe não gostaria nada de saber das inclinações moderninhas dele, muito menos do cigarro que ele traga como se fosse a vida. Sabe o que você deve fazer ? Viver a sua vida. Você não é e nem será capaz de abrir a cabeça dele e pôr um poema com seu nome. E, por mais que ele negue, de alguma forma você o perturbou. Perturbou sua cabeça ocupada por palavras latinas. Ele não estava bem, você não queria paz. Mas hoje estou lhe pedindo, menina. Faça alguma coisa, ou então não faça nada. Eu te peço que cante, que grite, deixe-se ao propósito simples e primário a que veio. Seja menina, como a vejo agora, e é bom mudar mas também é bom continuar sendo a mesma. Deixe-se apaixonar e fique de luto quando virarem a esquina, quando você também errar, mas volte a se apaixonar de novo. Não deixe nada te corromper, menina. Afinal o seu coração, mesmo em pedaços, vale muito mais. E outra, esqueça as análises científicas, a menos que você seja louca por uma delas, e se for, conheça-a com o coração. Com o coração, menina, e não só com as nomenclaturas. Não se preocupe com o que eles dizem, nem comigo.
tudo certo, tudo certo ...
vendredi 13 novembre 2009
Des-trua
Meu escrito é egoísta, regurgita. Meu poema não se come, definha, morre de fome. Meus versos solitários não casam com mais nenhum, não combinam, fogem, por mais que queiram, secam, só de pensar. Meus versos são como eu. Eu seco. Só de pensar. Eu minto, invento cores, corações, pavores. Meus versos às vezes doem, às vezes fingem. E minhas letras se unem e mentem por mim. Meus versos mentem, mim que não sou. E tem quem compre, mesmo que eu não venda.
tudo em volta está deserto, tudo certo ...
tudo em volta está deserto, tudo certo ...
jeudi 12 novembre 2009
Des-entoa
Porque você fala bem, escreve em francês, faz poemas de 13 páginas e eu ainda estou tentando o vestibular. Porque você sempre tem os melhores argumentos, impressiona pela inteligência e eu passo noites ouvindo músicas em companhia de um iPod. Porque você se faz companhia, esquece a carência e eu choro de solidão. Porque você tem a ela e eu ? Eu não tenho nada.
• ele é tão inteligente e eu igual a todo mundo...
• ele é tão inteligente e eu igual a todo mundo...
mercredi 11 novembre 2009
De fora
Nós sempre vamos acabar correndo atrás. Vamos procurar um modo prolíxo de dizer. Vamos fugir todas às vezes, vamos tentar sermos indiferentes. Vamos arrumar desculpas pra ligar. Vamos fingir esquecer o seu aniversário. Vamos consultar o horóscopo compulsivamente. Vamos omitir o uso de lentes de contato e também vamos escondidas escovar os dentes. Vamos nos deitar e sonhar. Vamos fazer um zilhão de planos. Vamos riscar papéis. E depois vamos rasga-los. Vamos insistir pra chegar na hora marcada. E vamos nos atrasar. Vamos ver comédias românticas, vamos vestir vestidos florais. Vamos correr de salto 12. Vamos rasgar uma meia-calça cintilante, vamos esquecer o rímel. Vamos salvar o mundo. E vamos deixar pra amanhã. Vamos deitar após a novela, vamos esquecer as torradas no forno. Vamos amar todas as vezes. E vamos negar. Vamos nos apaixonar pra sempre. E vamos esquecer no dia seguinte. Vamos todas as vezes. Sempre vamos. Vamos ?
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dimanche 8 novembre 2009
Por V.H. [com uma flor]
Pode ser mesmo que isso passe hoje ainda - eu que sempre fui tão inconstante -, pode ser que amanhã eu acorde e volte a ver tudo cinza, pode ser também que tudo vá bem até depois de amanhã e desande. Mas, ainda que o amanhã possa vir de fininho e estragar tudo, poder ter esse sorriso cara, sentindo o vento soprando (que gay!), realmente me valem tanto quanto alguns milhões. Você certamente não faz ideia do quanto salva a minha vida. Acaba de me salvar da amargura de uma noite mal dormida, acaba de zerar minhas queixas e minhas lamentações. Você realmente não faz ideia do que passa aqui, nessa cabeça preocupada com questões de física quântica. Boba. É, eu sei. Mesmo que você prefira tecer mil elogios a cada vez que nos falamos, que nos vimos, acho que a minha parte idiota não lhe foi apresentada - por completa. E tudo o que eu queria é que quando vocês fossem apresentados, que você não tenha medo dela (eu). Que você não saia correndo e tropece nas próprias pernas pela pressa com que foge de mim. Por favor, apenas não fuja. E sabe essas milhões de delongas que escrevo aqui diariamente (ou nem tão diariamente assim er) ? É tudo piada. Tudo historinha. Sabe essa minha mania de saber de tudo e todos em tempo integral ? Comece a achar graça, porque é de morrer de rir. Eu não sei de nada. NADA, entende ? Só escrevo na esperança de que você sinta de alguma forma esse desabafo. Eu só queria que tivesse certeza de que eu quero tentar. De que eu queria, sim, acordar assim todos os dias. Eu só queria que essa minha boa vontade para com o mundo durasse. Hoje eu acordei e não odiei meu cabelo. Hoje eu não xinguei o motorista, não reclamei do balanço da barca e - pasme! - não xinguei até a 6ª geração da família do Steve Jobs por a bateria do iPod ter ido pro saco quando eu ainda estava no ônibus. Eu não vou, eu não posso, eu não quero deixar pra lá. As pazes que fiz hoje não serão esquecidas. Hoje, eu não me importo. Jogo os ombros. Só hoje não odiei hidrocarbonetos e as Leis de Mendel. Só por hoje eu me vi magra e linda frente ao espelho, mesmo com o rosto descascando depois de tanto sol sem protetor. Hoje é dia de fazer as pazes com meu cabelo cacheado, com esse calor infernal e com o ENEM. Por favor, não se assuste com esse meu romantismo exacerbado que flui em sua direção e que eu, infelizmente, não obtenho controle. Se eu pulei nas suas costas e pedi para que me segurasse, foi pra não cair. Não cair nesse abismo que me cerca a todo alvorecer. E você me segurou com toda força e delicadeza. Se eu pudesse fazer a quantidade absurda de carinho que eu tenho guardado, se eu pudesse pôr meu coração capenga numa bandeja de prata e enviar pra sua casa. No fim das contas, eu apenas me lembro das piadas bobas às quatro da manhã. Dos seus olhos atenciosos e significativos observando cada movimento meu. Os seus olhos (só pra ganharem uma menção em destaque). Você, ali do meu lado, quietinho, não será esquecido. Sentir você respirar tão próximo quase me inebriou. Até a preocupação com a sua alergia. Olha, eu citaria detalhes, eu teceria fios e mais fios de elogios, mas hoje, só hoje, eu quero guardar tudo pra mim. E, no fim, eu só queria amor, amor e mais nada.
mercredi 4 novembre 2009
Por Mim
É engraçado 'catalogar' cada início de romance, cada espécie de prólogo. Como se todos eles fossem projetos de vida, idéias totalmente concretas, completas e independentes. Independentes de outra parte, de outra jogada. E que tudo isso, todo esse projeto, essa pré-tensão sempre me atraíram desde muito cedo. Amores ditos platônicos sempre me seduziram. Garotos desconhecidos andando pela metrópole com seus modos atrevidos sempre me atraíram muito. Aqueles que de alguma forma chamaram a minha atenção, foram puramente amados por um segundo pelo menos. Todos que despertaram a minha aguçada curiosidade e vontade de puxar um assunto através de uma tela e um teclado também podem considerar-se sortudos. Às vezes queria dizer a cada um deles o quão importante foram para o meu crescimento/desenvolvimento sentimental. Desde um falso francês e um cartão de Natal (e um coração) logo partido em mil pedacinhos até um te amo quando vejo seu perfil que passou a companhia de uma tarde. Verdade seja dita, amores idealizados e vividos (todos!) com uma intensidade superior aos meus poucos anos de vida. Todos eles pra sempre. Passando por um quase, bem quase. Afinal, o mundo do quase também sempre muito me agradou. Mas a graça afinal desses amores não seriam a não realização por completa dos mesmo ? A não estruturação racional desses devaneios ensandecidos ? Pois é, sim. Talvez. Porque já faz algum tempo que eu sempre ganho o jogo. Ganho por minutos, que seja. Minha memória recente não retém algo altamente idealizado e sofrido. Efeitos do tempo. Todas as lágrimas recentes tiveram seu fundamento. Antes delas, vieram momentos de felicidade extrema e satisfação. Podem ser classificadas como consequencias, então. Efeitos do tempo, novamente. Não ter mais 14 anos tem suas (grandes) vantagens. Guardadas as devidas proporções, consegui todas as vezes que tentei. Depois até vi que nem queria tanto assim. Esqueci, deixei passar. Não sofri a última decepção, sabe por que? Porque uma idealização um tanto passada/deixada guardada me deu de presente algo quase real. Uma ficha, diria. E cá estou, tentando. Não dá pra chamar de platônicas todas as vezes em que segurou minha mão ou me deu um beijo no rosto. Ou esbossou uma dança comigo. Ou me olhou de jeito fulminante e arrebatador. Não, não dá. Se tudo terminará como o anterior eu já não sei. Até porque dessa vez há um obstáculo maior do que todos os que eu crio instanteamente na minha cabeça todos dias ao acordar. Há um obstáculo concreto. Ou nem tanto assim hoje, caso você esteja dizendo a verdade. Mas tudo bem, tudo bem. Eu sigo. Eu tento. Eu vou acabar chorando no fim. Ao som de Chico.
mardi 3 novembre 2009
Por V.H. [2.1]
Porque toda sua atenção dispensada a mim tem me afetado tão diretamente que me causou uma espécie de overdose sua. Uma insônia quase insuportável, uma vontade de falar de você, em você, lembrar você. Uma necessidade absurda de falar, chamar. O que muitas vezes me deixa um tanto encabulada, confusa, cansada. É, cansada. Cansada de tentar de tudo, cansada de esperar uma migalha que seja de atenção. E que você tem dado. De migalha em migalha.
me apagando filmes geniais, rebobinando o século, meus velhos carnavais, minha melancolia ♪
me apagando filmes geniais, rebobinando o século, meus velhos carnavais, minha melancolia ♪
lundi 2 novembre 2009
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