(você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido novo, tirou as pedras da minha mão. eu te quero como meu ponto final.)
mardi 28 septembre 2010
samedi 25 septembre 2010
Próximo
queria te dizer que agora estou aqui, finalmente segura e puramente deitada na minha cama. depois de acordar deitada no escuro ao lado de um amante que não amo. e que eu desejava que você viesse assim com um amor enorme e bonito como uma flor, que pudesse me salvar. um amor que me salvasse do fundo do poço. não consigo nem olhar a roupa da festa de ontem, impregnada pela baixeza de uma noite decadente. pousei a mão nas costas nuas só pra sentir, ele é quente, quase feito você, mas sem amor, sem amor. o amante que eu nunca amei como outros tantos, como outras camas, como outros dias. violada pelo amor que eu não tive, meu bem. amor largo, bonito, colorido. amores pequenos, devios, sismas, necessidades. me lavei freneticamente na água fria, quis esfriar o corpo e o sentimento de não pertença que precisa passar logo. e esperar passar, pensar na roupa, no transito na Vargas, na minha mãe no telefone. ah, mãe, se você soubesse...
de tanto tive tanto, mas faltou isso: um amor bom. não queria que me visse assim, refém-avessa da minha passionalidade que desde muito judiou de mim. uma passionalidade que não me serve.
de tanto tive tanto, mas faltou isso: um amor bom. não queria que me visse assim, refém-avessa da minha passionalidade que desde muito judiou de mim. uma passionalidade que não me serve.
vendredi 24 septembre 2010
De
que me ame apesar do meu jeito errado de tomar chá
apesar das minhas olheiras cobertas de corretivo
apesar da minha preguiça involuntária
que me ame apesar da minha rua sem asfalto
que me ame apesar do meu tom, do meu gosto
que me ame apesar dessas meias espalhadas pela casa
que me ame apesar da minha falação
que me ame.
apesar de.
apesar das minhas olheiras cobertas de corretivo
apesar da minha preguiça involuntária
que me ame apesar da minha rua sem asfalto
que me ame apesar do meu tom, do meu gosto
que me ame apesar dessas meias espalhadas pela casa
que me ame apesar da minha falação
que me ame.
apesar de.
mercredi 22 septembre 2010
De vir
[venha queimar o dedo na panela e reclamar do meu tempero. venha. venha que depois eu te ajudo a lavar a louça.]
lundi 20 septembre 2010
dimanche 19 septembre 2010
Tinta
"Eu gosto de carinho violento. De falar. De estar certa. De quem entende o que eu digo. De quem escuta o que eu penso. Da minha prole. Dos meus discos. Dos meus livros. Dos meus cachorros. Dos Stones. Do Rock Natural. Da minha solidãozinha. Dos meus blues. Do meu sofá vermelho. Da minha casa. Do meu umbigo. De unhas cor de carmim. De homem que sabe ser homem. De noites em claro e dias em branco. De chuva e de sol. Eu guardo as minhas rejeições em vidrinhos rotulados com o nome deles. Eu sou mole demais por dentro pra deixar todo mundo ver. Eu deixo pra quem eu acho que pode comigo. Ninguém sabe. Mas eu tenho coração de moça."
(Fernanda Young)
juro.
(Fernanda Young)
juro.
vendredi 17 septembre 2010
Que sim
Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz e você ainda me queira. Tomara.
jeudi 16 septembre 2010
mardi 14 septembre 2010
Vão
Não. A gente ainda não viveu tudo. A gente não ouviu nossa música juntos, não cozinhamos e jogamos fora a comida porque nenhum dos dois sabe cozinhar. Não pedimos pizza. Você ainda não me viu acordar. Não viu meus olhos borrados da maquiagem barata de ontem a noite. Do pijama ao contrário. Não nos beijamos na biblioteca, nem transamos na escada. A gente não chorou junto. Não brigamos na rua. Você não leu aquele recado escondido em que deixei no seu livro. Você não me disse que tudo ia passar. Não me disse que era para ficar calma. Não me disse que não podia ter pensamentos ruins. Eu não te contei do sonho que tive essa noite. E eu não quero saber do sonho seu, dessa noite. Não trocamos juras banais no escuro. Muito menos saímos por aí sem hora pra voltar. Não, nada disso existiu. A gente sabe. Eu e você.
lundi 13 septembre 2010
Culpado
Eu sei, eu sei que você não gosta de Chico Buarque. É que não consigo entender como pode alguém não gostar de Chico Buarque. Não faz sentido todas as lojas de discos fecharem. E a culpa é de gente como você.
Essa gente que não sai de casa e não gosta de vinis do Chico.
Pessoas que não conseguem sentir a melancolia disfarçada de samba que está ali, impregnada, naquelas letras marotas.
Letras essa que me invadem o peito, me acalentam a alma e me beijam a boca.
Palavra a palavra, nota a nota. Mas você não gosta de nada disso.
E isso sou eu. Sou todos os vinis arranhados de Chico.
Sou toda o coração machucado, toda a cadência do cavaquinho. Você não gosta de mim.
Essa gente que não sai de casa e não gosta de vinis do Chico.
Pessoas que não conseguem sentir a melancolia disfarçada de samba que está ali, impregnada, naquelas letras marotas.
Letras essa que me invadem o peito, me acalentam a alma e me beijam a boca.
Palavra a palavra, nota a nota. Mas você não gosta de nada disso.
E isso sou eu. Sou todos os vinis arranhados de Chico.
Sou toda o coração machucado, toda a cadência do cavaquinho. Você não gosta de mim.
dimanche 12 septembre 2010
Débito
Porque, sabe, a rinite não tá me deixando dormir. E nem você. É, você. Porque eu tenho dessas coisas de pensar, pensar e não conseguir dormir. Dessas coisas bobas que me fazem perder o sono. Sabe, é que eu fico repassando, como num filme, tudo que você disse. E tudo que você, por alguma razão obscura, quis realmente dizer. É que tudo que você diz fica tão na minha cabeça que eu já não consigo ir comprar jornal na esquina sem que você me acompanhe.
samedi 11 septembre 2010
Rascunho
O problema é que o que eu quero é dessas paixões que já não existem mais. Dessas paixões que doem de chorar, e que fazem chorar de doer.
me dê pra cá o cavaquinho, amor.
me dê pra cá o cavaquinho, amor.
vendredi 10 septembre 2010
Tópicos
é que dessa vez, só dessa, eu quero fazer tudo direito. tudo o que as minhas amigas fazem. tudo nos conformes. dessa vez, só dessa, eu espero seguir todo o script. toda aquela cartilha da mulher bem resolvida que não implora por urgência, não implora por amor, não implora por perdão. porque esse seu jeito cínico e maldoso tem acabado comigo todas as noites e você não faz ideia a barra que tem sido fingir não te esperar. porque moças bem resolvidas não esperam nunca. não esperam nada, nem ninguém. então decidi que dessa vez vai ser assim. chega.
e se você não se apaixonar por mim mesmo com todo esse teatro de moça banal que eu estou fazendo, vai ser a prova de que eu precisava pra saber que você realmente vale a pena.
e se você não se apaixonar por mim mesmo com todo esse teatro de moça banal que eu estou fazendo, vai ser a prova de que eu precisava pra saber que você realmente vale a pena.
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