mercredi 4 novembre 2009

Por Mim

É engraçado 'catalogar' cada início de romance, cada espécie de prólogo. Como se todos eles fossem projetos de vida, idéias totalmente concretas, completas e independentes. Independentes de outra parte, de outra jogada. E que tudo isso, todo esse projeto, essa pré-tensão sempre me atraíram desde muito cedo. Amores ditos platônicos sempre me seduziram. Garotos desconhecidos andando pela metrópole com seus modos atrevidos sempre me atraíram muito. Aqueles que de alguma forma chamaram a minha atenção, foram puramente amados por um segundo pelo menos. Todos que despertaram a minha aguçada curiosidade e vontade de puxar um assunto através de uma tela e um teclado também podem considerar-se sortudos. Às vezes queria dizer a cada um deles o quão importante foram para o meu crescimento/desenvolvimento sentimental. Desde um falso francês e um cartão de Natal (e um coração) logo partido em mil pedacinhos até um te amo quando vejo seu perfil que passou a companhia de uma tarde. Verdade seja dita, amores idealizados e vividos (todos!) com uma intensidade superior aos meus poucos anos de vida. Todos eles pra sempre. Passando por um quase, bem quase. Afinal, o mundo do quase também sempre muito me agradou. Mas a graça afinal desses amores não seriam a não realização por completa dos mesmo ? A não estruturação racional desses devaneios ensandecidos ? Pois é, sim. Talvez. Porque já faz algum tempo que eu sempre ganho o jogo. Ganho por minutos, que seja. Minha memória recente não retém algo altamente idealizado e sofrido. Efeitos do tempo. Todas as lágrimas recentes tiveram seu fundamento. Antes delas, vieram momentos de felicidade extrema e satisfação. Podem ser classificadas como consequencias, então. Efeitos do tempo, novamente. Não ter mais 14 anos tem suas (grandes) vantagens. Guardadas as devidas proporções, consegui todas as vezes que tentei. Depois até vi que nem queria tanto assim. Esqueci, deixei passar. Não sofri a última decepção, sabe por que? Porque uma idealização um tanto passada/deixada guardada me deu de presente algo quase real. Uma ficha, diria. E cá estou, tentando. Não dá pra chamar de platônicas todas as vezes em que segurou minha mão ou me deu um beijo no rosto. Ou esbossou uma dança comigo. Ou me olhou de jeito fulminante e arrebatador. Não, não dá. Se tudo terminará como o anterior eu já não sei. Até porque dessa vez há um obstáculo maior do que todos os que eu crio instanteamente na minha cabeça todos dias ao acordar. Há um obstáculo concreto. Ou nem tanto assim hoje, caso você esteja dizendo a verdade. Mas tudo bem, tudo bem. Eu sigo. Eu tento. Eu vou acabar chorando no fim. Ao som de Chico.

Aucun commentaire:

Enregistrer un commentaire