
Não há mais brilho ou lantejoulas. Não há mais lágrimas no travesseiro. Não há mais foto no mural. Não há mais amor. E junto a todos os nãos, se foi a poesia. A música orquestrada que embalava minhas ideias. A percepção otimista de que tudo, no fim, ia se acertar. Até quando se foi, lento, me feriu. Me levou a dor do tom certo dos poemas, me levou o brio. Me fez dizer adeus às batidas ritimadas em samba do coração. Me arrancou com força descomunal a sensibilidade de flor. Lá se foram, rio abaixo, as cores desse amor doente que, por fim, padeceu. Agonizou por tanto tempo, se foi calado, quietinho, sem o grito célebre do adeus de filmes iranianos. Não ficaram os tormentos, nem os pensamentos no escuros. Ficou um vão entre o deitar e o dormir. Nunca mais rezei por você. Viramos outras pessoas. Não temos mais saudades um do outro, não queremos retomar, não brigamos. Velha cordialidade. Não sei o que ficou de mim, não sei se é bom ou ruim. Esperar o fim do processo de reciclagem e catar o que restou. De resto, guardo numa caixinha no fundo do armário o seu nome. Em meio a corações.
- e além de tudo me deixou mudo o violão .
Aucun commentaire:
Enregistrer un commentaire