lundi 28 septembre 2009

18 [3]

Porque quando se precisa de algo sólido para continuar construindo sonhos, fatalmente uma parte de nós parece ir embora pra tão longe que seria impossível correr atrás, que seria impossível resgatar com vida. Se essa parte se foi, a outra enfraquece, adoece e padece. Esquece que o pulsar é involuntário e faz força para desfalecer. E levantar é inevitável, até porque o chão é frio, úmido. Caminhar de novo, um passo de cada vez. Calçar de novo os sapatos. Seguir. Levantar um pouco a cabeça e tentar manter a postura ereta. Dificilmente pegar-se ouvindo melodias melancólicas. E fingir desapego a cada vez que os olhos marejarem. E, caso lágrimas molhem seu rosto, ter força o suficiente pra pedir um guardanapo na esquina e começar do ponto zero.
Porque elas continuam ganhando anéis de noivado, de compromisso. E o seu dedo continua vazio. Elas prosseguem com casos amorosos e você vive de amor perdido. Elas ganham flores e papéis coloridos, você flores, do seu pai, é claro. Elas vão continuar ouvindo juras de amor ao pé do ouvido, você nada. Um nada. Um nada em meio a nada. Sem propósitos. Com ausência de algo compatível. Um vazio cheio. Que a faz escrever textos a nível auto-ajuda made in banca de jornal, que a faz ler crônicas de domingo, fazer as unhas aguardando que alguém repare. E mesmo assim acreditar. Mesmo quebrando a cara todos os dias. Recebendo pontapés e socos no estômago. Da vida. Onde estão as paredes ? Onde estão as molduras ? Não estão. E não há lacuna em branco, apenas não há lacuna.
Não passa nunca, mas quase passa todos os dias. Me entende ? Nem eu.

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